Este ano, 2026, marca o quadragésimo aniversário da entrada de Portugal e Espanha na então chamada Comunidade Económica Europeia. Para ambos os países, a adesão representou o culminar de um processo de reconciliação nacional e abertura ao mundo exterior que transformou radicalmente as nossas sociedades. A Europa que tanto contribuiu para esse processo bem-sucedido era um ator político otimista e ambicioso, vivendo o seu maior momento de esplendor e apresentando-se ao mundo como a personificação prática e eficaz de uma série de princípios morais: paz, direito, liberdade, progresso social e cooperação internacional.
Nós, europeus, enfrentamos desafios internos em matéria de segurança, competitividade e governação. Também estamos vivenciando uma crescente frustração em amplos setores de nossas sociedades, o que alimenta a retórica daqueles que clamam por uma reformulação completa do sistema. Esses problemas internos são exacerbados pela deterioração de nossa relação transatlântica. Os EUA deixaram de ser o aliado natural com quem compartilhávamos uma visão comum e de apoio mútuo, tornando-se, em vez disso, um parceiro irritado, volátil e até mesmo ameaçador, como vimos na disputa pela Groenlândia. Essa nova relação transatlântica, que ainda está sendo definida, determinará o futuro da União Europeia.
As tarefas inacabadas da Europa, tantas vezes adiadas, são agora necessidades imperativas e urgentes. Devemos construir rapidamente tudo o que não conseguimos criar até agora: uma defesa digna desse nome, um verdadeiro mercado único, uma economia competitiva, autonomia estratégica e um modelo de governança que não impeça a conquista de todos esses objetivos essenciais.
Contudo, uma visão excessivamente pessimista da situação europeia não deve impedir-nos de reconhecer as vantagens tão invejadas por aqueles que aspiram a aderir à União: o nosso poder comercial, a nossa moeda, o nosso PIB, o nosso modelo de liberdades, a nossa história comum e a nossa determinação em defendero projeto político que partilhamos. Ninguém, muito menos os europeus, deve subestimar a capacidade do continente para responder aos desafios, por mais exigentes que sejam.
Desde a sua fundação, a Europa cresceu e progrediu, superando as diversas crises que enfrentou. Agora, devemos encarar a incerteza que paira sobre o futuro da nossa histórica parceria com os EUA; é possível que, daqui a alguns anos, olhemos para este período não pela inquietação que nos acompanha hoje, mas como a força motriz por trás de um novo salto em frente para o continente.
Oradores confirmados desta edição
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Amancio López SeijasPresidente da Fundação La Toja
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Ana LehmannProfessora da FEP-U.Porto e administradora de empresas
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Augusto Santos SilvaPresidente da Assambleia da República Portuguesa (2022-2024) e ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Portugal (2015-2022)
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Carlos López BlancoPresidente do Comité Organizador do Foro La Toja
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Carlos MoedasPresidente da Câmara Municipal de Lisboa
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Javier ColominaRepresentante Especial da NATO para o Flanco Sul
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Juan Fernández TrigoEmbaixador de Espanha em Portugal
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Luísa MeirelesJornalista. Diretora Informação da Agência noticias Lusa
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Mariano RajoyPresidente do Governo de Espanha (2011-2018)
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Mário CentenoGovernador do Banco de Portugal (2020-2025)
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Michael IgnatieffPrémio Princesa das Astúrias para as Ciências Sociais 2024. Reitor Emérito da Universidade da Europa Central (2016-2021)
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Paulo PortasVice-Primeiro-Ministro do Governo de Portugal (2013-2015)
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Paulo RangelMinistro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do XXV Governo de Portugal
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Peter RoughDiretor do Centro para a Europa e Eurásia do Instituto Hudson
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Román EscolanoMinistro da Economia, Indústria e Competitividade do Governo da Espanha (2018)
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Shlomo Ben AmiHistoriador. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel(2000-2001)
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Trinidad JiménezMinistra Relações Exteriores (2010-2011) e da Saúde (2009-2010) do Governo Espanha
Programa 2026
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- Quarta-feira, 29 de abril 2026
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9:00h Boas-vindas
Amancio López Seijas. Presidente da Fundação La Toja
Juan Fernández Trigo. Embaixador de Espanha em Portugal
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9:15h Abertura oficial
Paulo Rangel. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do XXV Governo de Portugal
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9:40h Os desafios políticos da Europa
Mariano Rajoy. Presidente do Governo de Espanha (2011-2018)
Paulo Portas. Viceprimer ministro del Gobierno de Portugal (2013-2015)
Modera: Trinidad Jiménez. Ministra Relações Exteriores (2010-2011) e da Saúde (2009-2010) do Governo Espanha
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10:20hA Relação Atlântica e a segurança europeia
Augusto Santos Silva. Presidente da Assambleia da República Portuguesa (2022-2024) e ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Portugal (2015-2022)
Javier Colomina. Representante Especial da NATO para o Flanco Sul
Peter Rough. Diretor do Centro para a Europa e Eurásia do Instituto Hudson
Modera: Luísa Meireles. Jornalista. Diretora Informação da Agência noticias Lusa
- 11:15h Coffee Break
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11:30h O mercado único e a economia
Mário Centeno. Governador do Banco de Portougal (2020-2025)
Román Escolano. Ministro da Economia, Indústria e Competitividade do Governo da Espanha (2018)
Modera: Ana Lehmann. Professora da FEP-U.Porto e administradora de empresas
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12:10h Uma nova ordem europea y mundial
Michael Ignatieff. Prémio Princesa das Astúrias para as Ciências Sociais 2024. Reitor Emérito da Universidade da Europa Central (2016-2021)
Carlos Moedas. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Shlomo Ben Ami. Historiador. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel(2000-2001)
- 13:05hIntervenção António Costa. Presidente do Conselho Europeu (*a confirmar)
- 13:15hConclusões Carlos López Blanco. Presidente do Comité Organizador do Fórum La Toja
- 13:25hEncerramento oficial His Excellency the President of the Portuguese Republic. António José Seguro (*to be confirmed)
Sala de imprensa